Hoje em dia vivemos numa sociedade demasiado materialista condicionada pelo tempo que corre a um ritmo bastante acelerado impedindo-nos por vezes de parar. As nossas vidas e a nossa acção acabam assim por estarem condicionadas pelo frenesim que caracteriza a época actual.
A competitividade e as exigências impostas pelo meio que nos rodeia levam-nos a concentrar a nossa atenção apenas em nós próprios, nos nossos problemas e nas nossas vidas, acabando tudo o resto por passar ao lado da nossa existência.
O foco apenas no “eu” leva-nos a ignorar e a negligenciar as realidades que concorrem a par da nossa, tornando-nos cidadãos passivos e pouco atentos face às problemáticas que afectam a sociedade e que nos recusamos a olhar.
A nossa acção gira única e exclusivamente em torno de nós e da nossa vida, não incentivando à participação em algo que possa ser dirigido a uma maioria com vista à produção de um bem comum. Esta inércia que invade muitos de nós é incompatível com o papel activo que se espera das pessoas que se inserem numa sociedade.
Neste âmbito, revela-se fundamental realçar o papel das organizações e instituições humanitárias sem fins lucrativos, como a Cruz Vermelha, que promovem o envolvimento das pessoas na resolução de problemas e fragilidades que afectam as comunidades que servem.
A participação voluntária e a adopção de uma atitude mais interventiva e activa na resolução desses problemas, que a todos nós diz respeito, exige o assumir de responsabilidades e compromissos que implicam a mobilização de um pouco do nosso tempo e dedicação em prol de um bem maior.
No entanto, a nossa envolvência em actividades com este fim, para além de procurarem produzir benefícios no público a que se destinam, trazem vantagens para os voluntários que as concretizam. A colaboração neste tipo de projectos ajudam-nos a construir o nosso próprio “eu” através do trabalho em equipa realizado por todos nós voluntários da JCV e do contacto com outros jovens e crianças, a quem as nossas acções são dirigidas.
Assim, vivemos, crescemos e aprendemos com e para os outros, procurando sempre pôr em prática os 7 princípios que regem esta grande casa que é a Cruz Vermelha: humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universalidade.
Aqui somos apoiados e acolhidos de braços abertos, trabalhamos e colaboramos em parceria de modo a que os objectivos e os fins delineados sejam atingidos.
Por isso, o empenho e envolvência de todos são sempre fundamentais para a concretização desta missão. Todas as actividades e projectos desenvolvidos valem sempre a pena quando o fim a que se destinam procura dar resposta a carências e necessidades da realidade local.
Através da nossa acção e mobilização em prol de realidades que caracterizam as comunidades locais onde actuamos, acreditamos ser possível mudar e contribuir para uma sociedade um pouco melhor.
Escrito por: Fabiana Reis


